sábado, 3 de setembro de 2016

Alpalhão, em festa, doou sangue





Em tempo quente de férias, em que não faltam festas nem romarias, teve lugar uma colheita de sangue, desta feita em Alpalhão, no Concelho de Nisa. Uma iniciativa da Associação de Dadores Benévolos de Sangue de Portalegre – ADBSP - que envolveu 27 pessoas, 10 das quais mulheres. Sendo Alpalhão a terra natal do nosso saudoso fundador, António Joaquim Eustáquio, gostaríamos de ter visto mais gente na sede do Grupo Ciclo Alpalhoense. Mas quem veio merece toda a admiração.
Uma vez feitos os exames de saúde: alguns não puderam concretizar os seus objetivos. Ao todo foram reunidas 19 unidades de sangue.
Nas instalações do Grupo Ciclo Alpalhoense foi servido o almoço convívio, apoiado pela Junta de Freguesia de Alpalhão.
Colheita dos Motardes
Recordamos que, a 10 de Setembro, se assinala o 26.º Aniversário da ADBSP, de cujo programa consta: 11,00 h Missa na Capela do Hospital; Homenagem a António Joaquim Eustáquio no Cemitério de Portalegre; 12,30 h Sessão Solene e actuação do Grupo de Cante Alentejano “Os Lagóias” no NERPOR; Almoço Convívio.
No sábado 17 de Setembro está agendada a colheita em parceria com o Grupo Motard Novo Milénio,e que decorre no kartodromo de Portalegre. E a 01 de Outubro vamos estar no Quartel dos Bombeiros de Sousel.
www.facebook.com/groups/AdbsPortalegre - já visitou?

JR

ALPALHÃO - A última tourada no Largo

Porque a França há muito nos tinha sugado os homens das carroças, as carroças que resistiam eram já escassas para cerrar o redondel. Compôs-se o que faltava com reboques e uns enrêdos de paus entrelaçados, mais uns barrotes aqui, uns estrados ali e a plateia foi dada como afiançada, que a freguesia também não era muita. ( Longe ia o tempo do Palanque das Senhoras, das carrêtas apinhadas, de rapazes já espigadotes, suspeitamente, a espreitar pelas tranqueiras...)
Se o gozo das touradas à vara-larga está no imprevisto, esta foi das boas.
Logo da primeira vaca quem foi o agarrador? O mais elegante dos jogadores de bola da vila e ainda hoje um rafista de corridas de bicicleta - o Carlos Fatan; a outra, teve de se render a um rapagão que começava a mostrar a sua apetência para a arte: o Renato Moura. Depois, o esperado imprevisto : a paliçada entre a Casa do Povo e o Curral do Manecas tombou, atirando com um magote de medrosos para cima do bovino que, solidário, rebolou com eles. Quando baixou a poeira e confirmado que ninguém se aleijara, o povinho gargalhou. Só o ruminante, e porque não era açoreano, não riu. Com este entremêz, os agarradores indultaram o animal e respeitaram o que veio a seguir - o novilho.
A Filarmónica, numa festa que lhe era dedicada, sentiu-se no direito de mostrar que o seu valor vai muito para além de premiar, com paso-dobles, quites e pegas. Vai daí, escalou para enfrentar o quinto animal um dos musicantes. O felizardo foi o Felizardo que, obrigatoriamente, esteve feliz.
A última vaca que correu pelo touril, que fique para conhecimento dos vindouros, quem a dominou foi o Francisco Sequeira; dos Batatas, o Chico.
Antes que apareça alguém que desencante para aí um pequeno deus caseiro, vindo da universidade, do quartel, do seminário, e lhe pespegue a graça na parede do pátio da antiga escola das raparigas, porque não deixar oficializado na toponímia da vila aquele espaço como " Largo das Touradas"? Foi isso que ele foi e é assim que ele é conhecido pelos mais velhos. lugar de sustos, de valentias, de fanfarronices, de pequenas tragédias, onde se ganharam famas e se enriqueceu o anedotário, cuja existência deve persistir na memória de Alpalhão.
José Caldeira Martins
NOTA: Retirámos esta saborosíssima prosa, bem como o programa, da página pessoal do Dr. José Caldeira Martins (Zé Alguém), um amante das tradições alpalhoeiras (marvanenses, nisenses e de outros sítios) que teima em deixar registadas para conhecimento de actuais e vindouros.