sexta-feira, 14 de março de 2008

PREPARAÇÃO DO CONGRESSO SOBRE NISA

Debate sobre os enchidos tradicionais em Alpalhão
A Nisa Viva – Associação dos Naturais e Amigos do Município de Nisa promoveu no passado dia 27, em Alpalhão, na sede da Junta de Freguesia, um colóquio sobre Indústria e Salsicharia, uma iniciativa incluída no programa de actividades preparatórias do Congresso sobre Nisa, a realizar em Novembro.
António Montalvo, advogado e jurista, presidente da Nisa Viva, presidiu ao colóquio. Sobre o primeiro dos temas, a Indústria, pouco ou nada se falou, alegadamente, por não ter podido comparecer o orador previsto, Francisco Ramos, responsável pela pedreira principal e fábrica de granitos da zona do Carvalhal.
Ao invés e sobre salsicharia muito se falou. A interveniente presente na mesa, a veterinária Esmeralda Almeida, que é também dirigente municipal, realçou o elevado nível higiénico e bom estado sanitário das salsicharias do concelho, mesmo aquelas que, fisicamente têm pequena dimensão, contrariando a ideia hoje em dia muito propalada de que só as grandes indústrias poderão cumprir tais requisitos.
Lamentou, como é hábito na abordagem destas temáticas, a dificuldade e os interessados avançarem para qualquer forma de associativismo, o que cria dificuldades na obtenção de um produto ainda mais qualificado e não facilita a comercialização em moldes mais arrojados.
Uma das salsicheiras presentes, referiu com orgulho, a experiência pessoal e da empresa para conseguir passar a vender o produto na conhecida grande superfície espanhola no centro de Lisboa, o “El Corte Inglês”.
Falou-se também na dificuldade de captação de gente nova na aprendizagem desta arte alimentar, para garantir, a prazo a sobrevivência do produto.
Estavam presentes salsicheiros de outros pontos do concelho, mas os de Alpalhão aproveitaram o ensejo para desabafar sobre a “trapalhada” que se passa na sua terra com o uso da água da rede pública, já que alguém responsável lhes teria dito que com tanto alumínio, nem para preparar enchidos garantia boas condições.
Os mais de 40 assistentes à reunião sorriram perante o ridículo da situação, mas a verdade é que o drama dessa senhora era assunto bem sério e que devia merecer a devida reflexão.
A empresária contou que, pedindo informações na Câmara de Nisa, a “empurraram” para se esclarecer nas Águas do Norte Alentejano, onde se dirigiu. Daqui mandaram-na dirigir-se à Saúde Pública Regional em Évora, etc., etc..
A mulher que não contava uma anedota, nem relatava um sonho pesado, falou tristemente de uma situação bem real por que estava a passar. Disse, ainda que, passado tanto tempo, ninguém responsável a informara adequadamente e, por isso, tem que acarretar água de outros sítios, para confeccionar os saborosos chouriços e cacholeiras de Alpalhão.
Tiago Malato, geógrafo e técnico ligado ao planeamento e desenvolvimento, é o principal responsável de uma associação a “Ocre” que, estando na nossa região, actua à escala europeia, em rede com congéneres de outros países, entre os quais a França.
Mostrou a disponibilidade para ajudar no processo de venda dos enchidos, nomeadamente na Grande Lisboa e debruçou-se sobre a indústria, ao realçar a importância dos granitos de Alpalhão sobre vários aspectos e apelou aos actores locais mais significativos para que não deixem morrer, pegando a sério na organização da Bienal da Pedra, iniciativa que granjeou grande prestígio, mas que a Câmara deixou de realizar e que provavelmente quererá transformar em quadrienal, dizendo que “não tem dinheiro”.
Este foi um colóquio bastante animado, o primeiro de uma série de outras iniciativas que a Nisa Viva pretende efectuar durante os próximos meses no âmbito da preparação do Congresso sobre Nisa, a realizar em Novembro e que terá como lema: “Que futuro para as Regiões do Interior?”